Promoções de todos os tipos anunciam produtos eletrônicos cada vez mais baratos, modernos, bonitos e cheios de tecnologias que prometem revolucionar o seu modo de vida... Mas o que realmente acontece é que a maioria das pessoas não se dá conta do desperdício causado pelo consumismo em nome da modernidade. Você pode pensar que eu estou falando do gasto que temos toda vez que precisamos reparar ou comprar outro aparelho, quer seja por danos, ou pelo mesmo estar desatualizado... Mas eu vou além! Você comprou aquele DVD lindo, minúsculo e fantástico no começo do ano e nove meses depois ele já não funciona mais. Você tentou recuperá-lo enviando para o conserto, mas descobriu que o reparo é inviável... Daí a saída foi jogá-lo no lixo e comprar outro novinho, afinal é tão barato que não vale a pena consertar...
Se você acha isso normal é bom parar e pensar por um instante no seguinte: quanta energia elétrica foi gasta para fabricar esse aparelho? Quanto combustível foi queimado no seu transporte? Quanta mão de obra foi gasta para que ele fosse manufaturado? Quantos insumos foram gastos na sua fabricação? Estas são algumas questões que talvez você não tenha pensado antes, mas que são relevantes quando se trata da atual política consumista que nos norteia. Vale lembrar que não se trata apenas de um único aparelho jogado no lixo, mas que são centenas deles sucateados. Verdadeiras fortunas jogadas fora!
Hoje nos vendem que aparelhos mais novos consomem menos e que têm melhor desempenho, etc., mas o que adianta ter tudo isso se são tão descartáveis? Se por um lado há economia, por outro há o desperdício ao jogá-lo no lixo.
Não sou contra a tecnologia, aliás, vivo dela, mas hoje aparelhos nascem e desaparecem em questão de anos, às vezes nem isso, e ai? O que acontece com você que comprou? E o que é pior, isso está virando vício (alguns dizem que é moda, eu não vejo assim) com pessoas comprando compulsivamente novos aparelhos porque acham que não podem viver sem o que há de mais moderno no mercado, não se preocupando com o destino do aparelho velho que até então o servia muito bem.
Todos se acostumaram a enxergar as ofertas como se elas tivessem nascido nas vitrines, sem pensar no quanto foi gasto para produzi-las, transportá-las, isto é, sem falar na matéria prima e todo seu processo de extração...
Mas o que mais me deixa indignado é que as pessoas ainda procuram os melhores produtos, aqueles mais duráveis, belos e eficazes que as satisfaçam. E muitos não se importam em pagar um pouco mais por esses benefícios, no entanto, as fábricas continuam a nos empurrar produtos descartáveis sobre o pretexto de que a concorrência é grande e que não sobrevive quem fabrica produtos mais caros... Será verdade? Será que realmente quem produz com qualidade e durabilidade a um preço superior não sobrevive nesse mercado?
Até quando a natureza irá suportar todo esse desperdício? Teremos que esgotar todas as reservas naturais fabricando porcarias efêmeras, para satisfazer a ganância de alguns e nossos egos? Eu só sei de uma coisa, caminhando do jeito que está, a indústria do futuro será baseada na coleta de lixo, para transformá-lo em produtos úteis e duráveis, visto que não haverá mais espaço para desperdício diante da escassez global que se anuncia.
Enfim, quando for comprar aquele produto “barato” da promoção, que nem tanta utilidade tem para você no momento, pense se vale à pena. Será que é tão barato assim?